“Quem tiver coragem, que entre neste país fantástico, absurdamente real, onde todas as cadeiras são terminantemente proibidas. E os agentes de segurança estão na sua casa, mas não estão. E não existem. E a orelha de um homem cresceu tanto que inundou a cidade. E o outro não podia entrar no cinema nem sentar na praça por que tinha um buraco na mão…”
Absurdo?
Esse é só um trecho do texto de apresentação desse livro de contos do escritor Ignácio de Loyola Brandão, lançado em 1976. Como diz o próprio texto, um livro onde as histórias se passam num “país fantástico, absurdamente real“.
Imaginem a situação do Brasil em 1976, um país vivendo um período ditatorial, um período de trevas… Enquanto “as pessoas nas salas de jantar estavam ocupadas em nascer e morrer“ – por conveniência ou por medo – outros tentavam, aos trancos e barrancos, demonstrar sua indignação diante daquele cenário dantesco.
Não ouso dizer que todos os contos presentes nesse ótimo livro são reflexos distorcidos dessa realidade, mas, a julgar pelo texto acima e da parte final “UM DIA ESTE LIVRO TERÁ FIM?” dá pra entender que muitos o são.
Não é apenas leitura – apesar dessa ser agradabilíssima – é também um exercício de tentar associar o absurdo do Brasil dos anos 70 aos “absurdos” e interessantes contos.
Bom, muito bom!!
Ah, e não posso deixar de citar a semelhança entre o argumento usado por Saramago em seu Ensaio sobre a Cegueira e o conto “Os Homens Cegos no Hall de Mármore“.
Leitura mais do que recomendada para aqueles que não estão interessados apenas em “nascer e morrer“.
![Dando a cara à tapa... [Israel Teles]](http://www.israelteles.com.br/wordpress/wp-content/themes/businessxpand_multicol/images/multicol_logo.png)

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